Publicação dos trabalhos apresentados

Estão disponíveis, na página Memórias,  os trabalhos apresentados no Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e a AIT, ocorrido no último mês de novembro. Agradecemos a todos e a todas que participaram do evento!
Neste ano, pretendemos dar prosseguimento às discussões do Colóquio por meio de outras atividades, que podem ser acompanhadas por meio do site da Biblioteca Terra Livre.

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PROGRAMAÇÃO DO COLÓQUIO

Confira a PROGRAMAÇÃO do Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e a AIT que inclui mesas temáticas e conferências de especialistas e estudantes que se dedicam a compreender a vida e a obra do anarquista russo Mikhail Bakunin e a experiência de oganização dos trabalhadores da AIT.

LOCAL: SALA DE VIDEO DA GEOGRAFIA

FFLCH/USP

Trabalhos aceitos

Segue abaixo a relação dos trabalhos aceitos no Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e a AIT. Em breve será divulgada a programação completa do evento, com as apresentações dos trabalhos e dos palestrantes convidados.

Alexandre Wellington dos Santos Silva e Davi Galhardo – “Bakunin Educador”
Antonio Barbosa Lúcio, Douglas Dauan Joel de Oliveira Lima e Jôsy Mércia Ferreira de França – “O Ensino de História como uma proposta libertária”
Bruno Gandin e Gustavo Medina Pose – “El pensamiento vivo de Bakunin: ciencia, poder y libertad”
Dayse Alvares – “A Conexão entre Bakunin e Hakim Bey”
Felipe Corrêa – “A lógica do Estado em Bakunin”
Ivan Thomaz Leite de Oliveira – “O dualismo organizacional e a pedagogia libertária”
Jan Clefferson Costa de Freitas – “Elucidações dionisíacas”
João Gabriel da Fonseca – “De Baixo para cima,da periferia ao centro: o federalismo em Bakunin”
Jonathan Fonseca do Nascimento- “Bakunin e a gênese histórica da idéia de divindade na consciência dos Homens”
José Santana da Silva, Marcos Augusto Marques Ataídes e Renato Coelho – “Black Blocks, os herdeiros de Bakunin – Militância e Enfrentamento na Ação Direta”
Luciana Brito – “O papel social da educação em Mikhail Bakunin – do hegelianismo de esquerda ao socialismo revolucionário”
Marcelo de Marchi Mazzoni e Marcus Vinicius de Marchi Faria- “Alguns passos rumo ao anarquismo”
Márcio Alex Leme – “A Rejeição de Bakunin ao Cientificismo de Karl Marx”
Paulo Lisandro Marques – “Bakunin e a Instrução Integral como parte da revolução libertária”
Ricardo Ramos Rugai – “O método decisório na organização bakuninista”
Rodrigo Rosa – “Ciência e Educação Anarquista: de Bakunin a Ferrer”
Selmo Nascimento da Silva – “O lugar das greves na luta de classes segundo a teoria bakuninista”
Victor Hugo Soliz – “Bakunin e a Análise da Liberdade”

Mikhail Bakunin, por Errico Malatesta

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Em 1 de julho de 1876, morria Mikhail Bakunin. Ciquenta anos depois, Errico Malatesta escreveu um texto sobre o revolucionário russo, que disponibilizamos logo abaixo.

Mikhail Bakunin
por Errico Malatesta

(Pensiero e Volontà, 01/07/1926)

Hoje é o qüinquagésimo aniversário da morte de Bakunin: os anarquistas do mundo inteiro comemoram, como as circunstâncias o permitem, o grande revolucionário, aquele que todos nós consideramos como nosso pai espiritual.

Eu gostaria de reproduzir aqui algumas de suas páginas mais eficazes e mais características. Seria a melhor e a mais útil homenagem. Mas estas páginas, ardentes de fé e de esperança, seriam certamente confiscadas, tendo em vista os tempos atuais, e eu as teria reimpresso em vão.

Os leitores deverão contentar-se, portanto, com minha magra prosa, tão indigna para evocar tal homem.

Há cinqüenta anos morria Bakunin, quase cinqüenta anos que eu o vi pela última vez em Lugano, já mortalmente atacado pela enfermidade e reduzido à sua própria sombra (ele me dizia, meio sério, meio irônico: “Meu caro, assisto à minha dissolução”). Entretanto, o simples fato de pensar nele ainda reconforta meu coração e enche-o de entusiasmo juvenil.

Tal foi, antes de mais nada, o grande valor de Bakunin: dar fé, dar febre de ação e de sacrifício a todos aqueles que tinham a felicidade de se aproximarem dele. Ele próprio tinha o hábito de dizer que ‘preciso ter “o diabo no corpo”. E ele realmente tinha, no corpo e no espírito, o Satã rebelde da mitologia, que não conhece deus, que não conhece senhores, e que nunca pára na luta contra tudo o que entrava o pensamento e a ação.

Eu fui bakuniniano, como todos os camaradas de minha geração, infelizmente já distante no tempo. Hoje, depois de longos anos, não me considero mais como tal.

Minhas idéias se desenvolveram e evoluíram. Hoje, penso que Bakunin foi muito marxista na economia política e na interpretação histórica. Creio que sua filosofia se debatia, sem conseguir sair, numa contradição entre a concepção mecanicista do universo e a fé na eficácia da vontade sobre os destinos do homem e da humanidade. Mas tudo isso importa pouco. As teorias são conceitos incertos e mutáveis. A filosofia geralmente faz hipóteses embasadas nas nuvens, e, em substância, tem pouca ou nenhuma influência sobre a vida. Eis porque
Bakunin permanece sempre, apesar de todas as discordâncias possíveis, nosso grande exemplo inspirador.

A crítica radical do princípio da autoridade e do Estado que ele encarna, continua bem viva. Sempre viva é a luta contra as mentiras políticas, a crítica das duas formas pelas quais oprimem-se e exploram-se as massas: a democracia e a ditadura. A reputação desse falso socialismo que ele denominava entorpecedor continua viva, e, de modo consciente ou não, ela tende a consolidar a dominação dos privilegiados embalando os trabalhadores com esperanças vãs. E, principalmente, o ódio intenso contra tudo o que degrada e humilha o homem, o amor ilimitado por sua liberdade, toda a liberdade, estão sempre vivos.

Que os camaradas pensem na vida de Bakunin, que foi cheia de lutas ideais e práticas, que foi um exemplo de devoção à causa da revolução. Que eles procurem – e todos nós também! – seguir seus passos gloriosos, mesmo de longe, cada um segundo suas forças e suas possibilidades!

10 a 13 de Novembro – Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e a AIT

A Biblioteca Terra Livre anuncia o Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e AIT, que ocorrerá nos dias 10 a 13 de novembro de 2014 na cidade de São Paulo. Neste ano, completam-se 200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin e 150 anos da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Para saber mais acerca da iniciativa e da motivação para a organização do evento, leia em Sobre. Já estão no ar os eixos temáticos do colóquio.

Em breve, anunciaremos mais informações como inscrições para submissão de trabalho, programação e estrutura do evento.

Aguarde as novidades!bakunin2014